os excessos da década de 80. da música à moda. de casa ao emprego. do campo para a cidade…e lá se vão os camponeses como Marx previu.

de repente (não foi assim tão de repente) vêm todos, e todos querem emprego, e casa, e carro, e máquinas de todo  o tipo, que encontraram necessidades que ninguém sentia, e de um dia para o outro, zás! quem vive sem máquina de lavar, e máquina de café e chaleira eléctrica e bimby …e o carro? um? então e quando for preciso um ir buscar o menino à natação e o outro a menina ao basket? como fazemos? porque a escola não chega. há que ocupar as crianças até se lhes acabar a pilha, não vá brincarem, ou pior, ficarem simplesmente a imaginar…que será que imaginam? imaginam? quem é que imagina?

onde será que vamos agora? estamos a ir? a terra move ou já não?

o brilho e cor luxuriante das lantejoulas dos 80 continuam a tentar ocultar a evidente mediocridade dos seus actores por um tempo do qual não se vê o fim, só se sente o cheiro pestilento

a. fonseca

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