devia ser feriado, devia estar a comemorar a restauração da independência, e em vez disso fui trabalhar lamentando nunca mais chegar a invasão espanhola. fui fazer trabalho socialmente necessário. trabalho para o estado (e não posso recusar sob pena de perder o subsídio de desemprego que julgava ter direito) praticamente de graça, sem contrato, sem fazer descontos, sem constar em lado nenhum que efectivamente estou a trabalhar.

é a segunda vez que trabalho para o estado e na primeira aprendi que o estado age de má fé. o estado é o pior patrão que já tive. na altura, anos 80, era “tarefeira”. era o nome que nos davam. estávamos lá para executar tarefas. tarefas que sendo necessárias não implicavam a criação de um posto de trabalho. era a crise

agora também é a crise. o nosso nome mudou. em vez de contratos de prestação de serviços temos contratos de trabalho de inserção. não se destinam a inserir ninguém em lado nenhum. estamos lá para executar tarefas. tarefas que alguém executava e agora deve estar em casa deprimido e requalificado. e nem ordenado nos pagam. recebemos uma bolsa…uma bolsa…para nos ajudar enquanto colmatamos as deficiências dum estado que, agindo de má fé, nos intimida a trabalhar quase de graça.

serão anos ou meses que não existiram na nossa carreira profissional. não estamos desempregados e não estamos empregados…estamos numa espécie de purgatório

o que se seguirá?

a. fonseca

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