quando tocou o telefone, estava eu no banho. confesso que esperei que se fosse mais cedo mas enganei-me. meço os outros por mim e faço mal. lá pagou o almoço e me contou como conseguiu arruinar dois natais. é costume. há sempre alguém que estraga o Natal. como se ser Natal não fosse o suficiente.

seguiu-se uma tarde maçadora. fiz os possíveis para que não reparasse. a educação e o bom senso aconselham-me a sorrir e acenar. o T deu-me o álibi perfeito. mesmo assim, e porque nem todos foram educados pela D.Alzira, fez questão de nos acompanhar. talvez tencionasse arruinar mais um momento alheio. pela mesma razão anteriormente alegada não cedi e não o inclui numa conversa noutra dimensão, a que nunca chegará.

lá nos despedimos. boa viagem. quando chegares diz qualquer coisa, manda um mail. atiro eu jovialmente. experimentei alguma felicidade. era adeus. não perco mais tempo com o que não me interessa. adeus.

sigo e antes de chegar a casa ainda telefona porque se perdeu no bairro e já não sabe onde era a loja. quem é que se perde aqui? dou instruções e novamente despeço-me. adeus.

a. fonseca

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